Apresentação

Abrir portas, rebentar cadeados, fazer comunidade.

A GAZUA é um espaço de acção comunitária que pretende gerar plataformas de auto-organização, participação e autonomia com vista à transformação social.
A comunidade não é estática, fechada, homogénea. É um organismo vivo que se faz através de múltiplas possibilidades de ser/estar/existir/resistir em comum. É um lugar de partilha (de diferenças), de afirmação da relacionalidade e da interdependência enquanto dimensões constitutivas da vida social e cultural, de recuperação da responsabilidade colectiva. É uma intersecção de práticas que, a partir do reconhecimento da diversidade, dão espaço à gestão dos quotidianos e das vulnerabilidades.

Face a um contexto marcado pela monopolização da política por uma elite, a acção comunitária é uma forma de intervir a partir das bases, que é pensada e praticada pelas pessoas afectadas directamente pelas desigualdades estruturais. Constrói-se no debate, no intercâmbio e nas aprendizagens colectivas, contrariando as oligarquias económicas, intelectuais e artísticas. Manifesta-se na cooperação e no apoio mútuo, através de diferentes linguagens, numa oposição necessária ao autoritarismo, à competitividade e à maximização do lucro. Instiga a criatividade, a comoção e a experimentação, combatendo a mercantilização das vidas, a frivolização da arte e a elitização da cultura. Impulsiona plataformas de diálogo entre o local e o global que não impliquem relações de dominação e que promovam a auto-determinação e práticas de solidariedade. Fortalece-se através da horizontalidade na auto-gestão das várias formas de comum e na delineação de respostas concretas a necessidades, desejos e inquietudes. Recupera e preserva a memória, num compromisso contra o esquecimento, o apagamento e a neutralização. É disto que se faz a acção comunitária. É destas possibilidades que se faz a GAZUA.

A GAZUA parte da arte e da cultura na sua dimensão mobilizadora e relacional para provocar imaginário(s), convocar o colectivo, questionar discursos hegemónicos e desenvolver processos de mudança que beneficiem a comunidade. Contemplará na sua programação mensal conversas, debates, exposições, oficinas, projecções de filmes e documentários, concertos, kafetas feministas, clubes de leitura, performances, teatro, recitais, entre outras actividades. Este espaço acolhe também a Gazuateca – biblioteca social, um lugar de encontro que pretende favorecer diversas formas de gozo pelas narrativas, pensar a comunidade e fazer política.